quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Dança e a Gravidez



A gestação é um período no qual a mulher tende a ficar mais sensibilizada, biológica e emocionalmente. A prática de exercícios físicos nessa fase é aconselhável por ser muito benéfica – com orientação e acompanhamentos apropriados – pois facilita a adequação às alterações. A dança do ventre é uma das atividades mais adequadas a auxiliar a gestante neste momento. Originada nos rituais de sociedades matriarcais, essa dança possui conhecimento intrínseco do feminino, que acompanha a mulher nos diferentes aspectos de sua vida, valorizando a feminilidade e exaltando sua essência e qualidades.

Nos ritos de fertilidade o ventre era considerado o símbolo do útero da terra, e ambos eram semeados. Assim como a terra precisava estar preparada para o plantio, a mulher precisava estar preparada para a gestação e o parto. Nos tempos antigos não existia antibióticos, nem cesariana, nem nenhum tipo de recurso atual usados para o parto ou qualquer problema decorrente dele. A Dança do Ventre como culto à Deusa era a única fonte que trazia a força e o preparo necessários para a mulher, tanto físico quanto psicológico.

A gestação e exercícios
A gestação corresponde do desenvolvimento do embrião, desde a fecundação até o parto, e promove inúmeras modificações no organismo feminino, como alterações de humor, aumento da freqüência cardíaca e do consumo de oxigênio, aumento do útero, do peso corporal e da secreção hormonal, além de modificações posturais, sonolência e enjôos. A prática de atividade física nesse período é aconselhável por ser muito benéfica – com orientação e acompanhamentos apropriados – pois facilita a adequação às alterações, exceto em casos em que a gestação seja de risco. Para as mulheres sedentárias que planejam começar a se exercitar na gravidez é aconselhável que esperem até o terceiro mês de gestação, enquanto as que já praticavam atividades e nunca sofreram aborto espontâneo podem continuar, se adaptando a sua condição. Em todos os casos é imprescindível a autorização médica. Normalmente as atividades físicas podem ser praticadas até o parto, contanto que a gestante se sinta confortável, com a intensidade diminuída gradualmente.
Durante o parto normal alguns músculos são relaxados e outros contraídos, principalmente os abdominais, e esses movimentos devem ser coordenados para que o parto ocorra e o bebê nasça sem problemas. Exercícios que trabalham os músculos abdominais e pélvicos reduzem o tempo e a dor do parto.
As atividades físicas para gestantes diminuem o ganho de peso, risco de diabetes e partos prematuros, complicações obstétricas, dores e flacidez, melhoram a resistência muscular e cardiorrespiratória, aumentando a capacidade física para o parto e a fortalecendo para que a recuperação seja mais rápida, além de menor hospitalização, diminuição na incidência de cesárea e maior facilidade em recuperar o peso depois do parto.


A dança do ventre para gestantes
Dentre as atividades físicas mais indicadas a gestantes está a dança do ventre, já que é de baixo impacto e pode ser executada de forma suave e sem tensões, e que além de ajudar na preparação do corpo tanto para a concepção como para o parto também trabalha a postura e fortalece e tonifica os músculos das panturrilhas, coxas, quadris, glúteos, assoalho pélvico, abdômen e braços. O fortalecimento da musculatura abdominal melhora a postura e também ajuda no controle na respiração, o que contribui bastante no momento do parto. A dança também ajuda na circulação sanguínea, responsável pelo fornecimento de nutrientes ao feto.
A prática da dança do ventre também proporciona melhor condicionamento físico e alongamento, maior coordenação motora, solta as articulações, alivia tensões e ajuda a prevenir a prisão de ventre, comum durante a gravidez. Dentre os benefícios psicológicos pode-se ressaltar maior sensação de bem estar, já que a atividade diminui a sensação de isolamento social, o risco de depressão, a ansiedade e stress, aumento da auto-estima, da feminilidade, da confiança, e do desejo sexual, que costumam ser abalados com as mudanças desse período. “Num momento em que nossas formas se modificam dia-a-dia, às vezes temos a sensação de inadequação com esse novo corpo.  A dança oferece a possibilidade de conviver pacificamente com essas modificações, sentindo cada fase como especial e momentânea. O movimentar desse corpo que agora abriga um outro corpo, dá leveza e confiança. A gravidez não é e nem nunca deve ser um empecilho a liberdade corporal da mulher. É importante obter prazer enquanto grávida, pois dessa forma esse período será vivido de forma plena e desprovido de desconforto, respeitando seus limites e observando sempre seu bem estar em primeiro lugar.”
A dança do ventre contribui ainda no período do pós-parto (ou resguardo), que tem a duração entre seis e oito semanas, terminando com o retorno da menstruação. Essa é uma fase na qual a mulher ainda vivencia muitas alterações e é o tempo que seu organismo necessita para se restabelecer e voltar ao estado anterior à gestação, especialmente em relação à forma física.
É essencial para garantir a saúde tanto da gestante quanto do bebê aliar a atividade física com nutrição adequada, e alguns desconfortos da gravidez também podem ser atenuados com a alimentação. É o caso dos enjôos, que podem ser aliviados com ingestão de frutas, sucos de sabor azedo, alimentos em forma de papa ou purês, além de bebidas e comidas mornas ou frias. Devido às alterações hormonais na gestação, a digestão tende a ficar mais lenta e a azia e a prisão de ventre se tornam inevitáveis. Para amenizar tais infortúnios pode-se apostar em uma dieta leve, rica em fibras, líquidos e frutas (como mamão, melão, ameixa, figo, uva). Deve-se evitar alimentos gordurosos e fritos e jamais esquecer a ingestão de água, especialmente durante as atividades físicas.



A dança do ventre praticada de forma regular e adequada durante a gestação é uma maneira agradável e eficiente de manter a saúde e forma física, e ainda preparar o corpo para o parto. Nesse período é fundamental a prática de atividades físicas prazerosas e seguras, respeitando as alterações metabólicas e hormonais da gestação. “Cuidar de você mesma enquanto está gerando seu filho é um prazer necessário e bem vindo. Aproveite esse tempo para oferecer a si mesma a melhor das atenções e todo o cuidado do mundo. Curta sua gravidez, os momentos que vivemos hoje são diferentes dos que viveremos amanhã. Cada gestação tem suas características peculiares e únicas, esteja alerta para viver intensamente essa experiência maravilhosa que é ser mãe.”

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 Referência bibliográfica:
Artigo premiado: Dança do ventre e Gestação - Ana Paula Camilo


terça-feira, 29 de maio de 2012

A dança e a vibração dos sons.


Na Dança Terapêutica utilizamos diversas ferramentas, assim através dos sons é exercida a cura vibracional.O som, este está presente a todo o momento, inclusive em sua ausência.Fonte básica de energia e movimento, onipresente. Utilizado também para comunicação em forma não verbal no cotidiano.




A música desde os primórdios de nossa existência nos serve como fonte de inspiração, passando a quem desejar suas "palavras". A comunicação não verbal pode ser dada através de uma melodia, independente se há ou não uma letra em sua composição.
Há comprovações através de estudos, os benefícios da terapia do som, pois através dela fazemos a conexão e o alinhamentos entre os Eus ( mental inconsciente e consciente) .
Perceba como os sons lhe afetam, como tocam uma parte de seu ser, como lhe modificam o seu estado emocional, se está for uma melodia com uma letra composta, não lhe dê atenção as palavras ditas, apenas sinta!





 Ao focarmos nossa mente no trabalho com o som podemos entrar em contato com nossas memórias ancestrais, pois o som expande nossa percepção e nossa sensibilidade. Neste trabalho podemos utilizar instrumentos nativos, ou qualquer outro instrumentos que traga esta conexão.

No Oriente, os exercícios espirituais de meditação, baseados no som, já existem há milhares de anos e muitos deles foram integrados em religiões como o budismo o islamismo.




sexta-feira, 18 de maio de 2012

A dança, sua simbologia e a ligação com os quatro elementos.



 A Dança do Ventre é uma dança do Período Matriarcal, tinha como principal foco o caráter religioso e ritualístico, esta linguagem gestual está associada aos rituais femininos de fertilidade, relacionados aos ciclos da lua e ao sangramento mensal das mulheres, consideradas o elo de ligação do mistério sagrado da vida e da morte.

 Embora atualmente tenha se perdido parte deste caráter, ainda permanece a essência, onde os movimentos estão ligados a uma série de símbolos como por exemplo o arquétipo da serpente e seu simbolismo da morte e renascimento, aos movimentos dos quadris com sua enorme possibilidade de ritmos, sintonizados com a pulsação que emana da terra, a interação com os elementos naturais através de movimentos simbólicos e ativação dos chakras.


 Apesar da dança não ter seu desenho original, pois recebeu a contribuição de várias culturas, o principal fio condutor da dança do ventre continua sendo a celebração da vida através do ventre, matriz do poder máximo da criação e microcosmo do corpo feminino maior, a Terra, nossa grande mãe, que nos alimenta e a partir da qual todos nós somos criados.

- Elemento Terra: 


O elemento Terra simboliza o plano físico, a matéria, a saúde do corpo, a estrutura, nossos desejos e vontades. Relacionado com o 1º chakra - báscio ou Muladhara.

- Elemento Água: 


O elemento água simboliza a emoção, doação, o útero, a intuição, o nosso querer. Relacionado ao 2º chakra -  sacral ou Svadhistana.

- Elemento Fogo: 


Representa uma chama crescente de fogo que evolui com impulso, determinação, inspiração e o ousar, nos transmutando e purificando. O elemento Fogo simboliza o plano espiritual e é relacionado ao 3º chakra – Plexo Solar ou Manipura.

- Elemento Ar: 


O elemento ar simboliza plano intelectual e nosso saber. Representa o vento cósmico capaz de trazer e levar conhecimento e vida, é relacionado com o 4º chakra – cardiaco ou Anahata.


De volta ao berço da dança


 Etimologicamente, o termo é a tradução do inglês americano Bellydance, e do árabe Raqs Sharqi - literalmente Dança do Leste.

 A Dança do Ventre é uma dança do Período Matriarcal, Sua origem data entre 7.000 e 5.000 a.C, onde teve passagem pelo Antigo Egito, Suméria, Babilônia, Mesopotâmia, Índia, Pérsia e Grécia, estes eram praticados como rituais sagrados em honra das divindades femininas, homenageando a Grande Deusa Mãe. As mulheres dançavam ao redor do fogo, venerando a natureza, a Terra (símbolo da fertilidade), a Lua; elas se ofertavam como filhas a serviço de sua Deusa, e procuravam receber a força da Grande Mãe.





 Esta prática milenar, era usada pelas mulheres desde os primórdios da civilização, como preparação pra o parto, celebração das colheitas e culto à Deusa. Esses rituais sagrados tinham caráter religioso e de extrema importância para a mulher, que não disponibilizava da tecnologia e recursos atuais. Nos tempos antigos não existia antibióticos, nem cesariana, nem nenhum tipo de recurso atual usados para o parto ou qualquer problema decorrente dele. A Dança do Ventre como culto à Deusa era a única fonte que trazia a força e o preparo necessários para a mulher, tanto físico quanto psicológico.


 Não trata-se de apenas uma atividade física com técnicas rígidas, mas sim uma dança da alma. E nada melhor do que sua prática para realizar esse contato com o divino, o resgate do eu-feminino, o retorno à suas origens e a formação de um elo de ligação com nossos ancestrais e com todas as forças da natureza; descobrindo que todas nós somos Deusas também.  Não há nada mais belo do que uma mulher dançando e celebrando a vida, com muita leveza e feminilidade; pois esse é o verdadeiro sentido desta dança: O dom de dar a vida através do seu Ventre.